25.4.10

Escolhas


Certamente, há muito tempo que não escrevo nada nesse blog, talvez por falta de tempo ou até mesmo por falta de ideias, que ultimante, tem sido algo bem comum. Mas espero que ainda exista alguém que leia isso aqui.

Dúvidas e Incertezas

D
e todos os meninos da vizinhança, sempre foi o mais trabalhador e, infelizmente, o mais humilde. Com apenas oito anos de idade, Luís trabalhava como engraxate na Rua Tapajós. Dava de si, pouco esforço para os estudos, porém, era o mais inteligente do terceiro ano do ensino fundamental inteiro. Méritos e mais méritos se passaram, menino virou homem, apaixonou-se, desapaixonou-se, iludiu-se e foi desiludido... Ilícita de jogo. Crime o qual não cometeu. Sabia que iria enfrentar muitas dificuldades, tanto pelo preconceito racial, quanto pela ficha criminal. Para ser alguém na vida, teria de sacrificar muitas coisas, até mesmo a bênção de seu padrinho, o único parente vivo que lhe restava, que não aprovava a escolha de Luís. Para ele, Luís havia nascido pobre e, assim, deveria morrer. Por algo, Luís teria de optar.
Foi então que ele decidiu, iria largar tudo que tinha conquistado até ali e lutar pelo seu futuro, afinal, de uma forma ou de outra, uma hora não iria mais ter seu padrinho ao seu lado e teria que enfrentar suas dificuldades, sozinho. Mas o homem realmente não pensava que essa história de esquecer, de deixar tudo para trás e seguir em frente fosse tão complicada. Logo ele que sempre aconselhava seus amigos a partirem pra outra e se valorizarem que coisas melhores iriam aparecer, e quando menos esperava lá estava pra quem ele dava suas recomendações caindo nas tentações.
Luís sentia suas palavras sendo levadas tão em vão, mas hoje aprendeu que falar é tão fácil; há coisas na vida que só você só entende quando passa pelas mesmas. A nossa falha é pensar que esta tudo em perfeito estado, que passe o que passe você não vai se importar, quando basta apenas um aviso, algum comentário, pra abalar toda sua estrutura, todo aquele escudo que você trabalhou tanto tempo para formar.
Tudo isso girava dentro da cabeça de Luís, há dias que ele olhava para o relógio e os ponteiros pareciam estar congelados, imóveis, os minutos insistiam em passar vagarosamente; porém Luís tinha essa mania que todos nós temos de ficar cutucando a ferida que já está quase cicatrizando, só para doer. Ele se perguntava: “Será que faço isso pra me testar? Pra ver até aonde vou conseguir aguentar?” se ele pudesse gritava aos quatro ventos tudo aquilo que estava-lhe deixando desolado.
O homem sabia que sua decisão já estava tomada, porém, o que lhe afligia, era o medo do desconhecido, e era exatamente isso que lhe tirava o chão e o deixava tão vulnerável. Mas qual é o valor de um sonho? Até onde vale a pena correr atrás disso? Será que toda trajetória de sucesso tem seu lado negro? Será que realmente para alcançarmos o que tanto queremos temos que passar por coisas ruins? Eram muitas perguntas, várias respostas, porém nenhuma destas respostas chegava até Luís, e a única certeza que lhe restava era a de que seu futuro estava em jogo,e foi diante desta situação que ele decidiu, ia ser exatamente naquele dia que ele iria seguir um novo rumo, pegou um vôo e foi para Nova Iorque, onde novas oportunidades estavam a sua espera.


2 comentários:

Renan disse...

Este é aquele texto da aula de redação amor ? realmente gostei dele, acho que devia continuar escrevendo este texto. Gosto desse seu jeito de filosofar de uma forma simples. Boa sorte.

WHITEFK disse...

Ah, obrigada. É, gostaria mesmo de terminar de escrever este texto, talvez um dia consiga, mas por enquanto me falta idéia. Enfim, obrigada mesmo Nan <3

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