13.6.10

Amor

Posso dizer o que eu penso? Dê-me alguns minutos e me verá de outra maneira.
Não choro sem motivos. Ingênua e sonhadora.
Choro por estar, ou, ao menos, me sentir perdida
e desculpe-me se já não consegue entender.
Não sabia que o cansaço seria tanto. Não sabia que era capaz me esgotar a esse ponto.

Entre tantos obstáculos, eu me rendi. Mas só à você.
Alguns, muitos, dizem por ai que eu fracassei.
Falam nas minhas costas e sorriem ao ver-me.
Sei que deveria ser mais forte, e tento, porém, não consigo.

Então, quando penso que tudo já está da pior forma possível,
vem em minha mente a pior parte disso tudo. Ele.
Está tudo bem se eu brigo com alguém uma vez por semana.
Tudo ótimo ter perdido algumas amizades em menos de um mês, por pura falta de consideração.
O problema é, como de costume, ele.

Ele conheceu o gosto do amor através dos meus lábios.
Sentiu o amor pela primeira vez graças ao meu encanto.
Enfeitiçou-se pelo meu cheiro.
Entre todas as apaixonadas, posso dizer, fui a amada.
Mas ele não sabe disso. Por mais duro que possa ser, é a realidade.

Seu coração balança e faz-lhe sorrir ao ouvir meu nome,
mas não sabe que todas essas fraquezas diante a alguém é chamada de amor.
Como reconhecer o amor se nunca o sentiu?
Como saber o que está acontecendo em si mesmo se ninguém o explica?

Díficil. Diante disso, sofro. Sim, sofro por perder um amor sem motivos.
Amor sincero, verdadeiro, puro e perdido.
Lágrimas caem por meu rosto, agora, rubicundo,
e lentamente vão queimando meu corpo pela vergonha de ser covarde.
Poderia muito bem, dizer-lhe o que é essa magia.
Poderia resgatar-lhe um abraço, ou até mesmo um beijo e mostrar o que eu sinto de verdade. Porque palavras não bastam, essas, nunca foram suficientes.

“Eu gosto de você, mais do que imagina”.
E nem assim ele entendeu.
“Eu gosto de você, mas sei lá”.
Não tem romantismo em minha vida.
É assim e simplesmente acabou.
Ele não sabe nada sobre sentimentos e eu definitivamente desisti.
É o fim de mais uma história.
Vou seguir como sempre fiz.
De nada serviram todos esses anos de amor.

Vou encontrar outra história errada e você também, vamos chorar. Vamos sofrer.
Vamos nos encontrar de novo e quem sabe?
Pode ser que soframos novamente.
Não sei quantas voltas o mundo vai dar até eu acertar.
Mas é assim que as coisas são e vou continuar
.

25.5.10

Vida

Na infância, os olhos límpidos vêem o mundo claramente sem a catarata do tempo.
A fé no visto e no sonho. A vida maior que a morte.
O corpo livre do peso do vivido e não vivido, do perdido e do não gasto.
Na velhice, os olhos turvos, a opacidade do mundo,
a fé no que não se vê, a morte maior que a vida,
recordações e não sonhos, algumas já desbotadas e outras reinventadas,
e as sensações prazerosas, que o corpo já esqueceu.

Pois é


Não dá para dar vida para quem insiste em morrer a todo instante,
posso te curar, cuidar de ti,
mas não mas não sou capaz de te ressuscitar a cada segundo que passa,
a cada tropeço teu.

24.5.10

Eu sei

A: Amor, tu sabe que eu to te dando preferência cem por cento, certo?
B: Pois é, tenho percebido.
A: Não estou vendo isso ser recíproco.
B: Desculpa, não faço por querer.
A: Eu devo interpretar de outro jeito nossa relação?
B: Sinceramente, eu não sei, é difícil tratar alguém bem quando você não está bem consigo.
A: O que foi?
B:
Nada.
A:
Tu nunca me contas as coisas.
B:
Falta de confiança.
A:
Fico preocupado.
B:
Não devia
A:
Eu quero te ajudar, não quer ajuda?

B: É que chegou a um ponto que ninguém pode ajudar em nada nisso, não é grosseria, é a realidade.
A: Eu quero te ajudar, quero te ver melhor.
B: Mas é que não tem nada que tu possas fazer.
A: Nada mesmo?
B: Quase nada.
A: Quase?
B: A tua presença já me faz um bem.
A: Não é o que parece.
B: Nunca fui boa em demonstrar sentimentos.
A: Eu quero muito te ajudar, mas não me agrada ficar lá naquele lugar.
B: Já entendi o problema.
A: O problema NÃO é você.
B: Está tudo bem, me diz, aonde tu queres ficar?
A: Não sei, mas menos lá, sendo ignorado...
B: Desculpa se não tenho te tratado da melhor forma.
A: Não tens mesmo.
B: Acho que tu sabes bem que essa não é minha intenção, nunca foi.
A: Eu sei, tu nunca ias querer isso, te conheço...
B: Conhece?
A: Sei tuas intenções.
B: Que bom que sabes.
A: Mas o caso é que acontece, e as intenções nada contam.
B: Péssimo, vou te dar mais atenção
A: É o mínimo.
B: Não quero que tu te sintas mal.
A: Já estou me sentindo.
B: Desculpa pela tamanha ignorância de minha parte.
A: Já era de se esperar.
B: Era?
A: Desculpa ficar fazendo exigências.
B: Já me acostumei.
A: Devo estar sendo muito chato.
B: Não estás.
A: Não?
B: E não quero tuas desculpas, te entendo.
A: Entende?
B: Entendo.
A: Então, qual o problema?

B: Relacionamentos. Odeio falar sobre isso
A: Desculpa te fazer falar sobre.
B: Tudo bem.
A: Tudo mesmo?
B: Esse é o menor de nossos problemas.
A: Nossos?
B: Talvez apenas meus.

23.5.10

Impossibilidade

Hoje eu ouvia uma música na qual me lembrava você, eu sorri,
ao lembrar, da tua risada, e chorei, após lembrar, que tu não estavas mais ao meu lado,
meu coração doeu, senti um aperto, e eu queria arrancar essa dor de dentro de mim,
eu juro que tentei, mas não consegui, algo me impedia, falhei,
parece que independente da minha vontade, qualquer
lembrança sua, por mais remota que seja,
insiste em ficar dentro de mim, me machucando, me ferindo, me fazendo lembrar,
de cada momento que passei junto a ti, me forçando a desejar você de volta,
em todos os mementos.Por que você não sai deste meu corpo?
Porque você domina minha mente?
Por qual motivo você faz com que eu te queira cada vez mais ao meu lado?
Eu só queria te esquecer, mas parece impossível.

Você

Algo me fez ver o quanto eu preciso de ti.
Eu estava mais uma vez só, não havia ninguém por nenhum dos lados,
eu fechei meus olhos e vi, sim eu juro que te vi, juro que era você.
Naquele momento nada mais importava, a não ser aquele único instante,
onde me sentia feliz e segura, perto de ti, então suspirei, não foi um suspiro de dor,
mas sim de alivio, de desabafo, um suspiro que disse tudo por mim,
tudo aquilo que eu precisava dizer, uma vez que eu não conseguia falar,
e mesmo que a dor de ter que te ver partir seja ruim, eu sei que serei feliz com você,
mesmo que isso seja apenas em meus pensamentos, e nunca vou me esquecer
de quem você se tornou para mim, e para minha vida.
Minha essência, aquele maior motivo para o meu coração bater em um determinado compasso, todos os dias.

Solidão

Eu peço paz, vejo que estou “buscando” novos relacionamentos,
tentando encontrar alguém que me complete, e acho que não é
isso que preciso. Pois sei, em algum lugar, no fundo mais profundo
de minha alma, que o amor nunca dura e nós temos que arranjar
outros meios de seguir em frente, sozinhos. Eu sempre vivi assim,
mantendo uma distância confortável e até agora jurei, para mim
mesma, que era feliz com a solidão, mas precisava me encontrar,
aliás, ainda preciso. Onde foi que me perdi? Será que me entreguei
tanto a ti a ponto de você ter total controle sobre mim agora ?
Aonde está você ? Aonde eu estou ?

16.5.10

É difícil

É difícil de acreditar, talvez, de aceitar o rumo que certas coisas tomam. Ás vezes, certas escolhas, por mais sutis que sejam, trazem grandes mudanças. Ás vezes vem em forma de alegria, vitorias, porém, em muitas outras vezes vem em forma de desastres, pesadelos, tristezas. E o que fazer quando teu chão já não é mais aquele que te sustentava e te dava todo apoio para andar? Como se manter firme se teu chão agora é frágil, quebradiço, delicado?
É como caminhar pelo mar em uma noite tempestuosa. A costa que antes lhe recebia de braços abertos, agora é hostil, com rochas furiosas rasgando para fora da água, as ondas estão nervosas, atiram o que carregam em direção as rochas. O antigo Farol que antes iluminava as noites mais escuras, sua luz, de certa forma, aquecia quem iluminava mesmo nas noites mais frias, trazia um breve calor mesmo entre os segundos que ela passava, agora, já não está mais lá. Está, mas não é mais o mesmo. Sua luz já não irradia as vidraças, agora quebradas, a torre frágil. O que fazer, para continuar, quando não existe mais um porto seguro?
De que adianta receber as palavras se ela vem vazias?
De que adianta receber sorrisos, se são falsos e talvez, até mesmo sem valor?
É difícil estar no lugar errado. É difícil viver em um lugar onde grande parte quer que tu sejas alguém que tu não és. É doloroso acreditar que algumas pessoas que antes diziam que estavam ali para te ajudar, tinham outros objetivos. É duro encarar a verdade e atropelar os fatos, tentar mostrar o que realmente está acontecendo e apenas alguns, poucos, acreditarem. É difícil ver que muitos perdem seu futuro, suas chances de realizar os sonhos talvez de uma vida inteira, simplesmente por serem guiados pelas opiniões dos outros. Eu sempre achei que as pessoas se subestimavam ou superestimavam. Nunca tive a sensação de que elas dessem o valor merecido a si. Talvez, doideiras da cabeça de uma tímida convicta e incurável, porém, percebo que tudo isso vem se tornando cada vez mais real.
Até que ponto vale a pena seguirmos as opiniões dos outros se elas não estão de acordo com as nossas?

9.5.10

Desejos

Como fazer quando tudo aquilo que se deseja
parece estar muito distante de nossas
possibilidades?
Como conviver
com essa falta que causa certa amargura no coração
de quem se sabe carente, sente os desej
os e é obrigado a aceitar a
impossibilidade de torná-los concretos?

Ela conhecia bem essa angústia da falta, do desejo e da ambição.
Desde menina de olhos verdes azulados,
trazia consigo esse sentim
ento de desejar, de possuir, de ter ou querer ter,
de ser alguém ou representar algo com um tamanho grau de importância
que ela mesma não sabia como expressar.
Sentia a dor física que essa falta provocava.
Um vazio no peito, uma incapacidade de raciocínio lógico,
uma agonia ou até mesmo uma angústia que a levava
a considerar-se a mais infeliz de todas as criaturas vivas sobre a Terra.
Não era uma carência material,
ou a falta de estruturas mínimas para uma vida confortável, saudável e sadia,
tudo isso era oferecido por seus pais e sua família.
Era uma carência existencial, um momento de distração,
uma desatenção mínima que a cegava sobre tudo aquilo que acontecia ao seu redor.
A conhecida sensação de buraco no peito retornava mais forte,
as angústias triplicavam, o medo do que poderia acontecer invadia sua alma,
seu coração, seus pensamentos e principalmente a sua vida.
Seria medo da morte?
Mas não temia a morte, pelo contrário tinha por ela certa simpatia e agradecimento.
Simpatizava com a certeza de que ia encontrá-la um dia
e lhe era grata por ter levado embora alguns outros,
antes que estes pudessem lhe fazer algum mal.

Temos o péssimo hábito de nunca ou quase nunca,
estarmos contentes com quem somos,
com aquilo que temos e com o que construímos.
Nossas realizações podem até ser importantes e consideradas,
em algumas situações, no entanto, não damos tanto valor a elas,
nos submetemos à opinião dos outros para parecermos normais,
mas será que isso é realmente ser normal?
No fundo não valorizamos tanto assim nossas realizações e conquistas.
Enquanto isso aquele egocentrismo infantil,
aquela analise do mundo e dos outros continua acontecendo.
Pouco deveria nos interessa saber daquele que nunca demos algum valor,
devíamos mais é querer que aqueles, que realmente tem um valor pra gente,
estivessem ao nosso lado em todas as horas ou ao menos por alguns instantes.
Infelizmente poucos conseguem juntar forças para fazer isso.

Conhecemos pessoas que se tivessem vivido um quarto das experiências que vivemos
estariam plenas na realização de seus desejos.
Se analisarmos, veremos que nossos mais profundos desejos e realizações
não passam de hábitos cotidianos para alguns e, mesmo esses alguns,
estão cheios de angústias e preocupações quanto aos seus desejos.
Porque desejamos coisas diferentes.
Então estaria no desejo a causa maior da infelicidade?

Sentia a falta de algo, de um pouquinho a mais para ficar plenamente realizada
e mesmo quando conseguia esse pouquinho, sentia a falta de mais.
A felicidade é como uma droga forte e poderosa
quem dela experimenta não consegue mais largar,
e aqueles que nunca experimentaram já ouviram falar
e se mordem de curiosidade para conhecê-la.
O que poucos sabem é que felizes são os que não a desejam.
Os que aceitam tudo do jeito que é, sem questionamentos, sem dúvidas,
sem receio e sem contestar.
A vida em sociedade foi feita para os que baixam a cabeça,
para os que oferecem o outro lado do rosto depois que um é esmurrado.

Há momentos em que cometemos determinados atos,
nos armamos até os dentes para defender algo,
pode ser um objeto, uma idéia, uma crença...
Ao fazer isso transferimos nosso ponto de referência,
para esse algo, essa alguma coisa.
Nossas atitudes passam a ser tomadas a partir dessa escolha.
Temos o campo de visão reduzido.
O que nos impossibilita de que ver o que acontece ao lado,
e degenera nossa capacidade de pensar.
Com o passar do tempo essas coisas acabam tomando corpo e vida própria,
independentes de nós,
os criamos e tão reais se tornam que muitas vezes,
mesmo sabendo que o ato, o gesto, a atitude, o pensamento, a postura,
ou qualquer outra manifestação não é correta,
ou não cabe naquela situação especifica, nos o cometemos.

Achamos que as coisas são o que são por serem.
Que tudo já foi determinado e que essa determinação que foi ali imposta é correta,
e a mesma deve ser aceita sem questionamentos para não prejudicar o equilíbrio de tudo.
Mas, de qual equilíbrio nós estamos falando?
Deste que mantêm alguns poucos tão felizes e realizados
enquanto deixa outros no mais profundo vazio?
Qual é o caminho correto que todos nós devíamos seguir?


Inspirado em um texto de Christopher Jr.

8.5.10

Monocromático

O céu está cinza, nada mais tem cor.
As flores murcharam, as folhas estão secas, já não se ouve mais o canto dos pássaros. O uivo do vento é o único barulho presente nesse meu ambiente.
Eu me pergunto, onde está toda aquela alegria que existia dentro de mim?
Quando olho pelas frestas da minha janela, todos parecem ser tão felizes, ou fingem ser felizes... As pessoas ebanjam sorrisos, abraços, beijos, alegrias.
E eu? a única coisa que tenho feito ultimamente é ficar aqui dentro de mim mesma, desabafando todos os meus pensamento em palavras escritas.
Nada mais além de uma caneta e papéis. E o único sentimento presente em minha vida é a nostalgia. Me tornei um ser humano podre, vazio, não tenho nada a oferecer.
No meu mundo estou livre daquilo que se chama hipocrisia, essa coisa que me enoja.
Ou talvez, não tão livre assim, as histórias e filmes que passam pela minha cabeça me trazem lembranças de um passado que prefiro esquecer, mas esses fantasmas da dor não deixam. Eles me perseguem, me atormentam, me inquietam. Eu ouço suas vozes baixinhas ao pé do meu ouvido. São as vozes da insegurança, do medo, da dúvida. Eu tento me manter afastada, mas agora já é tarde, tarde demais. Busquei tanto por isso inconscientemente. Me deixei influenciar por pessoas podres de alma. Achei mais digno segui-las do que constituir minha vida. Mas agora já é tarde. Viverei eternamente com essa culpa em meus ombros, com esse peso na minha consciência e principalmente com a inútil vontade de querer que o tempo volte, pois ele não vai voltar, jamais. E foi neste dia que percebi que não importa o quão ruim eu me sinta, o quanto eu não queira mais seguir em frente, meu coração não para de bater e meus olhos se abrem pela manhã.

Caminho

Eu sei o que
você acha,
você acha
que sou louca,
e de certa forma
sou, porém,
antes eu era
como uma idiota
que corria para
todo o lado,
sem saber para onde ia,
mas agora
não corro mais,
já sei aonde vou.

7.5.10

Diversão

As luzes na boate piscavam em uma sequência em que ninguém entendia, a música tocava alto até que seus ouvidos estourassem e começassem a se acostumar. Você precisava entrar no ritmo da dança para ser aceito, e como pequenos robôs controlados por uma força maior, vocês acompanhavam a música e batiam as palmas. Tudo entrava em um tipo de black out, e ninguém poderia seguir mais ninguém, porque ninguém se via naquele lugar. O som continuava, e todos se esbarravam, todos se pisavam e gritavam a cada encontro desastroso com outra pessoa. Parecia acidental, mas depois de alguns minutos a luz voltou, e eles estavam ainda parados, tentando entender tudo que estava aconteçendo. Começaram a seguir uns aos outros, e o ritmo da dança voltará a ser compreêndido. Cegos pela falta de luz as pessoas não haviam conseguido, por falta de criatividade, por falta de conexão, dançar. Ninguém conseguiria, afinal, quem está fazendo as coisas por si só hoje em dia? É como uma fábrica, e todos tem que ter um ritmo, tem que ter um tipo de marca, e tem que ter uma utilidade, se não querido, você está fora; e o produto final não fica pronto sem uma certa padronização. E quando alguém os cega, nada acontece, eles só ficam cada vez mais perdidos, até a claridade voltar e tudo começar novamente como se nada houvesse acontecido. Como se aquele black out não fosse nada pra eles, pois estava cegos demais com a robotização que havia sido imposta à eles. Cegos por seguir os outros e não ter mais a sua própia voz. Afinal, você fala por quem: por você, ou por algo imposto a você?

28.4.10

Nuvem

Ele disse que queria ser uma nuvem deitado na grama olhando o céu em uma tarde ensolarada e talvez, como de costume, monótona.
Ele disse, vendo a mais bela nuvem que já havia visto em sua vida, que queria ser uma nuvem, para viver no céu, naquela imensidão azul, tão bela, tão digna...
Ele queria liberdade, por isso queria ser uma nuvem.
Ele queria viver o mais bonito amor. Queria ser visto, ouvido, falado, lido.
Ele gostava de se expressar por palavras, mas somente escritas – e se expressava muito bem através delas -, era culto, educado, inteligente, carinhoso, sincero. Era um rapaz lindo e charmoso, por dentro e por fora, sua beleza era rica... Mas era tímido, tão tímido que em uma tarde ensolarada declarou que queria ser uma nuvem, viver no céu, ser abrigo de anjos, ser absolutamente livre, leve e branquinho... E poder chorar – de alegria ou de tristeza; de amor ou de raiva; de saudade; de medo; de agonia, de desabafo, de qualquer porquê ou sem nenhum porquê -, assim, para todos verem, observarem, todos sentirem, e alguns – poucos ou muitos; jovens ou não; mulheres ou homens; garotos rebeldes ou meninas apaixonadas; não importa – entenderem o seu pranto e o fariam companhia cantando, sorrindo, brincando, amando, chorando, gritando, pulando, correndo, ou apenas ouvindo o barulho das lágrimas sob elas, até a última lágrima cair.
Ele queria ser livre, por completo, queria ser sentido e de alguma forma – comum ou não – ser compreendido.
Ele só queria ser uma nuvem... e se fosse, seria a mais fascinante de todas elas.

Saudade

Estou de joelhos por você, amor.
Sinto tua falta. Esse pouco tempo longe de ti está me deixando louca. Sinto falta do teu sorriso largo e expressivo. Sinto falta dos teus olhos que sempre me pegam a te observar. E da tua expressão quando isso ocorre. É uma interessante junção de ironia e orgulho. Ah, como me fascina você. O jeito que enxerga a vida de outra perspectiva. O modo como me analisa. E como analisa tudo. O modo como se complica. O modo como se contradiz. As tuas idéias simples e loucas. E tua autodefesa que de mim não se defende. Teu orgulho que não me atinge. Tuas palavras tocam meu coração suavemente como se fossem um carinho. Teu jeito de não conseguir me machucar. E de dizer que eu não sou carinhosa com você. De me pedir um abraço ou me provocar para um beijo. Ah, como eu sinto falta de tudo isso agora que você não está aqui. Agora que eu não sei como você está. E se está pensando em mim. Agora posso dizer com certeza que daria todos os meus tesouros para abraçar-te forte e nunca soltar-te. Sei que poderia passar facilmente uma vida inteira em teus braços sem mais nada. Agora digo firmemente que daria o pouco que tenho pelo prazer de passar meu dedo suavemente pelas linhas do teu rosto. Gosto meu que se tornou uma mania, quase um vicio. Ah, que falta me faz aqueles arranhões que eu tanto amo dar em teu braço. Nem sei se gosto mais apenas por te tocar ou pela tua cara de dor assim que eu o faço. Acho que sou maldosa, mas não me culpe meu amor, não me culpe se até quando bravo eu não paro de te amar. E me parece tão estranho e inédito eu me encontrar escrevendo desse assunto de forma tão verdadeira e agora tão entendida. Antes só escrevia, mas nada sabia. Acredito que ainda nada saiba. Apenas sei que agora estou adorando aprender. E que maravilhoso será se você quem me ensinar o amor, a amizade.
Ah, meu querido, sou tão fraca e covarde. Sou tão imatura e idiota. Sou tão esquisita e bipolar.
Incrível como sinto que nada sei, apenas que se fosse uma milionária queimaria todo meu dinheiro apenas para te ter comigo. Abraçando-me. Dizendo-me coisas bobas e rindo das maiores idiotices que falo. Quero tanto que saiba que estou aqui para você. E que quero tornar isso verdadeiro. Mais do que já é.
Querido, diga-me:
Por que o tempo não passa?
Explique-me:
Por que te vejo no céu, nas flores e no sol? Encontro-te lá porque são as coisas belas da vida, assim como você?
Ah, amor. Volte logo. Traga-me novamente teu riso, teu olhar e tua mente. Preencha esse peito agora meio vazio. Seque essas lágrimas tão desesperadas ou impeça que elas caiam. Fique comigo. Segure minha mão. Beije minha testa com toda tua ternura. Prenda-me em teu abraço. Prometo-te não tentar me soltar. Só não garanto não me agarrar a cada lembrança tua que passa involuntariamente por mim. Sou capaz, em toda minha loucura, de te enxergar em desconhecidos. Sou capaz de ouvir tua voz nas minhas músicas favoritas e ao ouvir teu nome na boca de desconhecidos os invejo por poderem dizê-lo. Como queria dizer – não, sussurrar - teu nome, mas sem você aqui pra quem irei dizê-lo?
Amo-te muito. Amo-te tanto que não sei dizer o quanto. Amo-te por ter me ensinado o verdadeiro valor de uma amizade.