28.4.10

Nuvem

Ele disse que queria ser uma nuvem deitado na grama olhando o céu em uma tarde ensolarada e talvez, como de costume, monótona.
Ele disse, vendo a mais bela nuvem que já havia visto em sua vida, que queria ser uma nuvem, para viver no céu, naquela imensidão azul, tão bela, tão digna...
Ele queria liberdade, por isso queria ser uma nuvem.
Ele queria viver o mais bonito amor. Queria ser visto, ouvido, falado, lido.
Ele gostava de se expressar por palavras, mas somente escritas – e se expressava muito bem através delas -, era culto, educado, inteligente, carinhoso, sincero. Era um rapaz lindo e charmoso, por dentro e por fora, sua beleza era rica... Mas era tímido, tão tímido que em uma tarde ensolarada declarou que queria ser uma nuvem, viver no céu, ser abrigo de anjos, ser absolutamente livre, leve e branquinho... E poder chorar – de alegria ou de tristeza; de amor ou de raiva; de saudade; de medo; de agonia, de desabafo, de qualquer porquê ou sem nenhum porquê -, assim, para todos verem, observarem, todos sentirem, e alguns – poucos ou muitos; jovens ou não; mulheres ou homens; garotos rebeldes ou meninas apaixonadas; não importa – entenderem o seu pranto e o fariam companhia cantando, sorrindo, brincando, amando, chorando, gritando, pulando, correndo, ou apenas ouvindo o barulho das lágrimas sob elas, até a última lágrima cair.
Ele queria ser livre, por completo, queria ser sentido e de alguma forma – comum ou não – ser compreendido.
Ele só queria ser uma nuvem... e se fosse, seria a mais fascinante de todas elas.

Saudade

Estou de joelhos por você, amor.
Sinto tua falta. Esse pouco tempo longe de ti está me deixando louca. Sinto falta do teu sorriso largo e expressivo. Sinto falta dos teus olhos que sempre me pegam a te observar. E da tua expressão quando isso ocorre. É uma interessante junção de ironia e orgulho. Ah, como me fascina você. O jeito que enxerga a vida de outra perspectiva. O modo como me analisa. E como analisa tudo. O modo como se complica. O modo como se contradiz. As tuas idéias simples e loucas. E tua autodefesa que de mim não se defende. Teu orgulho que não me atinge. Tuas palavras tocam meu coração suavemente como se fossem um carinho. Teu jeito de não conseguir me machucar. E de dizer que eu não sou carinhosa com você. De me pedir um abraço ou me provocar para um beijo. Ah, como eu sinto falta de tudo isso agora que você não está aqui. Agora que eu não sei como você está. E se está pensando em mim. Agora posso dizer com certeza que daria todos os meus tesouros para abraçar-te forte e nunca soltar-te. Sei que poderia passar facilmente uma vida inteira em teus braços sem mais nada. Agora digo firmemente que daria o pouco que tenho pelo prazer de passar meu dedo suavemente pelas linhas do teu rosto. Gosto meu que se tornou uma mania, quase um vicio. Ah, que falta me faz aqueles arranhões que eu tanto amo dar em teu braço. Nem sei se gosto mais apenas por te tocar ou pela tua cara de dor assim que eu o faço. Acho que sou maldosa, mas não me culpe meu amor, não me culpe se até quando bravo eu não paro de te amar. E me parece tão estranho e inédito eu me encontrar escrevendo desse assunto de forma tão verdadeira e agora tão entendida. Antes só escrevia, mas nada sabia. Acredito que ainda nada saiba. Apenas sei que agora estou adorando aprender. E que maravilhoso será se você quem me ensinar o amor, a amizade.
Ah, meu querido, sou tão fraca e covarde. Sou tão imatura e idiota. Sou tão esquisita e bipolar.
Incrível como sinto que nada sei, apenas que se fosse uma milionária queimaria todo meu dinheiro apenas para te ter comigo. Abraçando-me. Dizendo-me coisas bobas e rindo das maiores idiotices que falo. Quero tanto que saiba que estou aqui para você. E que quero tornar isso verdadeiro. Mais do que já é.
Querido, diga-me:
Por que o tempo não passa?
Explique-me:
Por que te vejo no céu, nas flores e no sol? Encontro-te lá porque são as coisas belas da vida, assim como você?
Ah, amor. Volte logo. Traga-me novamente teu riso, teu olhar e tua mente. Preencha esse peito agora meio vazio. Seque essas lágrimas tão desesperadas ou impeça que elas caiam. Fique comigo. Segure minha mão. Beije minha testa com toda tua ternura. Prenda-me em teu abraço. Prometo-te não tentar me soltar. Só não garanto não me agarrar a cada lembrança tua que passa involuntariamente por mim. Sou capaz, em toda minha loucura, de te enxergar em desconhecidos. Sou capaz de ouvir tua voz nas minhas músicas favoritas e ao ouvir teu nome na boca de desconhecidos os invejo por poderem dizê-lo. Como queria dizer – não, sussurrar - teu nome, mas sem você aqui pra quem irei dizê-lo?
Amo-te muito. Amo-te tanto que não sei dizer o quanto. Amo-te por ter me ensinado o verdadeiro valor de uma amizade.

Vazio

Você já sabia. Sempre soube que eu iria embora de alguma forma. Desde que começou a ser dependente de tantas outras coisas e me deixando de lado. Desde que os outros, o outro, a outra, passaram a ser mais importantes que eu. Passamos a nos encontrar cada vez menos, eu não tinha em que me segurar. Não existia quase nenhuma relação entre nós além daquela que você criava quando usava sua roupa preferida e se arrumava pra eu me sentir melhor. Mas vou embora e quando ver isto vai ser tarde demais, já estarei longe para me alcançar. E agora que vou e resta você e suas supostas prioridades: Bem-vindo ao vazio! Uma hora ou outra ele aparece pra te visitar, ele se tornará tão mais forte por você não dar valor a quem está ao seu lado e cuidado para não desistir de sua vida quando alguém desistir de você.

26.4.10

Verão

Nada mais nostalgico do que o verão, acho que está ai uma das únicas coisas da vida que não importa a idade, depois que acaba todos sentem falta.

Quem nunca mudou com o tempo ?

aos poucos você vai deixando de escutar certas músicas, de usar certas roupas, de falar com certas pessoas. Mudar faz parte do ciclo da vida, embora a essência seja sempre a mesma. Quando encontrar um obstáculo grande na vida, não desanime ao passar, pois, com o tempo ele se tornara pequeno. Não porque diminuiu, mas porque você cresceu.

Obs: Não achei o nome do autor deste texto, acredito que seja desconhecido, mas ta ae :/

25.4.10

Escolhas


Certamente, há muito tempo que não escrevo nada nesse blog, talvez por falta de tempo ou até mesmo por falta de ideias, que ultimante, tem sido algo bem comum. Mas espero que ainda exista alguém que leia isso aqui.

Dúvidas e Incertezas

D
e todos os meninos da vizinhança, sempre foi o mais trabalhador e, infelizmente, o mais humilde. Com apenas oito anos de idade, Luís trabalhava como engraxate na Rua Tapajós. Dava de si, pouco esforço para os estudos, porém, era o mais inteligente do terceiro ano do ensino fundamental inteiro. Méritos e mais méritos se passaram, menino virou homem, apaixonou-se, desapaixonou-se, iludiu-se e foi desiludido... Ilícita de jogo. Crime o qual não cometeu. Sabia que iria enfrentar muitas dificuldades, tanto pelo preconceito racial, quanto pela ficha criminal. Para ser alguém na vida, teria de sacrificar muitas coisas, até mesmo a bênção de seu padrinho, o único parente vivo que lhe restava, que não aprovava a escolha de Luís. Para ele, Luís havia nascido pobre e, assim, deveria morrer. Por algo, Luís teria de optar.
Foi então que ele decidiu, iria largar tudo que tinha conquistado até ali e lutar pelo seu futuro, afinal, de uma forma ou de outra, uma hora não iria mais ter seu padrinho ao seu lado e teria que enfrentar suas dificuldades, sozinho. Mas o homem realmente não pensava que essa história de esquecer, de deixar tudo para trás e seguir em frente fosse tão complicada. Logo ele que sempre aconselhava seus amigos a partirem pra outra e se valorizarem que coisas melhores iriam aparecer, e quando menos esperava lá estava pra quem ele dava suas recomendações caindo nas tentações.
Luís sentia suas palavras sendo levadas tão em vão, mas hoje aprendeu que falar é tão fácil; há coisas na vida que só você só entende quando passa pelas mesmas. A nossa falha é pensar que esta tudo em perfeito estado, que passe o que passe você não vai se importar, quando basta apenas um aviso, algum comentário, pra abalar toda sua estrutura, todo aquele escudo que você trabalhou tanto tempo para formar.
Tudo isso girava dentro da cabeça de Luís, há dias que ele olhava para o relógio e os ponteiros pareciam estar congelados, imóveis, os minutos insistiam em passar vagarosamente; porém Luís tinha essa mania que todos nós temos de ficar cutucando a ferida que já está quase cicatrizando, só para doer. Ele se perguntava: “Será que faço isso pra me testar? Pra ver até aonde vou conseguir aguentar?” se ele pudesse gritava aos quatro ventos tudo aquilo que estava-lhe deixando desolado.
O homem sabia que sua decisão já estava tomada, porém, o que lhe afligia, era o medo do desconhecido, e era exatamente isso que lhe tirava o chão e o deixava tão vulnerável. Mas qual é o valor de um sonho? Até onde vale a pena correr atrás disso? Será que toda trajetória de sucesso tem seu lado negro? Será que realmente para alcançarmos o que tanto queremos temos que passar por coisas ruins? Eram muitas perguntas, várias respostas, porém nenhuma destas respostas chegava até Luís, e a única certeza que lhe restava era a de que seu futuro estava em jogo,e foi diante desta situação que ele decidiu, ia ser exatamente naquele dia que ele iria seguir um novo rumo, pegou um vôo e foi para Nova Iorque, onde novas oportunidades estavam a sua espera.